Copa do Nordeste

Vitória perde Cacá e Luan Cândido: veja o que diz a regra em cada caso

Vitória perde Cacá e Luan Cândido: veja o que diz a regra em cada caso

Cacá foi expulso por atingir Arias com as travas, em lance revisado pelo VAR, e Luan Cândido pelo gesto de roubo. Entenda as duas regras e o caso do Maurício.

As duas expulsões do Vitória contra o Palmeiras aconteceram por motivos diferentes e seguem regras diferentes. Uma foi por jogo brusco grave, revisada pelo VAR. A outra foi por conduta antidesportiva contra a arbitragem, um tipo de vermelho que muita gente nem sabe que existe. Vale entender os dois, porque a confusão entre eles é o que gera a maior parte da discussão.

Cacá: a expulsão que o VAR revisou

Numa dividida no primeiro tempo, Cacá acertou a perna direita de Jhon Arias com as travas da chuteira. O árbitro Alex Gomes Stefano não havia dado vermelho no lance corrido; foi chamado pelo VAR, revisou as imagens e aplicou a expulsão.

Esse é o caminho previsto: o VAR pode recomendar revisão quando entende que houve erro claro e evidente em cartão vermelho direto. O critério que a arbitragem aplica em contato com as travas não é a intenção do jogador, e sim se o lance colocou a integridade física do adversário em risco. É por isso que dividida sem intenção nenhuma pode acabar em vermelho, e é aí que a leitura da torcida e a da arbitragem costumam se separar.

Luan Cândido: o gesto de “roubo”

Esta é a menos compreendida das duas. Enquanto o árbitro conversava com os jogadores do Vitória depois do primeiro vermelho, Luan Cândido fez com as mãos o gesto de “roubo” em direção à arbitragem. Foi expulso por isso.

Gesto ou palavra que acusa o árbitro de desonestidade entra em conduta antidesportiva, e a punição prevista é o cartão vermelho direto, não o amarelo. Não depende de o jogador ter falado alto, não depende de estar longe da bola e não depende de o árbitro ter errado ou não no lance anterior. Sob a regra, reclamar do critério é uma coisa; sugerir que houve roubo é outra.

⚠️ O detalhe que custa caro: esse é o tipo de expulsão inteiramente evitável. Ela não vem de uma dividida em velocidade nem de uma decisão dividida de arbitragem, e sim de um gesto feito com o jogo parado. Foi o segundo vermelho em poucos minutos e é o que transformou um problema em colapso.

Quando o VAR pode entrar e quando não pode

Boa parte da revolta em torno de arbitragem nasce de uma expectativa que a regra não sustenta: a de que o VAR revise tudo. Ele não revisa. A intervenção é limitada a quatro tipos de situação, e apenas quando há indício de erro claro e evidente.

O VAR pode revisar Na prática
Gol impedimento, falta na origem, bola que não passou da linha
Pênalti marcado que não era, ou não marcado que era
Cartão vermelho direto foi o caso de Cacá: o VAR chamou e o árbitro reviu
Identidade equivocada cartão aplicado ao jogador errado

E a revisão em si tem um rito, que é o que se vê acontecendo em campo:

  1. O VAR acompanha o lance e identifica possível erro claro e evidente.
  2. Comunica o árbitro pelo fone e recomenda a revisão; não decide nada.
  3. O árbitro faz o sinal do retângulo e vai ao monitor, ou aceita a informação sem ir até lá.
  4. O árbitro toma a decisão final e sinaliza. Foi este o caminho da expulsão de Cacá.

Repare no que não está na lista: segundo cartão amarelo. Se o árbitro dá o segundo amarelo indevidamente e o jogador sai, o VAR não pode desfazer. E repare também no que está: cartão vermelho direto, exatamente a porta pela qual a expulsão de Cacá entrou. A decisão final é sempre do árbitro de campo; o VAR recomenda a revisão, não aplica o cartão.

O que isso significa para quem assiste: quando um lance não é revisado, isso pode significar duas coisas bem diferentes, que ninguém distingue da arquibancada. Ou o VAR olhou e entendeu que não havia erro claro, ou o lance não se enquadra nas quatro categorias. São situações opostas em termos de responsabilidade e produzem a mesma imagem: o jogo seguindo.

E o lance do Maurício, por que não deu vermelho?

Aqui é preciso separar o que é fato do que é interpretação. O fato é que houve um lance entre Maurício, do Palmeiras, e Cacá, e que o jogador do Palmeiras não foi expulso. A interpretação de que deveria ter sido é do Vitória, da torcida e de parte dos comentaristas, não uma decisão oficial.

O que sustenta a indignação rubro-negra é a comparação de critério: um lance com contato entre jogadores ficou sem punição máxima, e outro, minutos depois, foi revisado pelo VAR e terminou em expulsão. Se a súmula trouxer detalhamento do episódio, é ali que a versão oficial vai aparecer. Até então, o que existe é a decisão tomada em campo.

O que vem agora em termos de punição

Situação Efeito prático
Expulsão por jogo brusco grave suspensão automática no próximo jogo; o STJD pode ampliar em caso de denúncia
Expulsão por conduta antidesportiva contra a arbitragem suspensão automática; gesto ofensivo registrado em súmula costuma pesar mais
Reclamação pública do clube manifestação institucional sobre arbitragem pode gerar procedimento próprio

O que isso significa para o time: o Vitória perde os dois zagueiros de uma vez no próximo compromisso. Não é ajuste de uma peça, é refazer a dupla inteira, e a extensão exata só fica clara quando a súmula for publicada e o STJD decidir se abre procedimento.

Perguntas frequentes

Por que Cacá foi expulso contra o Palmeiras?

Por atingir a perna direita de Jhon Arias com as travas da chuteira numa dividida. O árbitro foi chamado pelo VAR, revisou o lance e aplicou o cartão vermelho.

Por que Luan Cândido foi expulso?

Por fazer o gesto de roubo com as mãos em direção à arbitragem enquanto o árbitro conversava com os jogadores. Gesto que acusa o árbitro de desonestidade é enquadrado como conduta antidesportiva, com vermelho direto.

O gesto de roubo dá cartão vermelho?

Sim. Gesto ou palavra que acusa a arbitragem de desonestidade é conduta antidesportiva e a punição prevista é o vermelho direto, não o amarelo.

Maurício, do Palmeiras, deveria ter sido expulso?

O fato é que houve um lance entre Maurício e Cacá e que o jogador do Palmeiras não foi expulso. A avaliação de que deveria ter sido é do Vitória e de parte dos comentaristas, não uma decisão oficial.

Redação Leão da Barra
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Redação Leão da Barra é responsável pela cobertura editorial do Leão da Barra. Especialidade: futebol brasileiro, Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil, escalações confirmadas, transmissões ao vivo, pré-jogo e pós-jogo, multi-modalidades esportivas (NBA, F1, MMA, vôlei). Escreve para torcedor brasileiro adulto, multi-clube, busca informação útil rápida (ondê passa, que horas, escalação). Linha editorial: jornalismo esportivo direto, foco em utilidade prática pro torcedor (onde assistir, horário, escalação confirmada), sem fanatismo nem opinião disfarçada de notícia. Toda publicação passa por verificação cruzada em fontes oficiais primárias antes de ser publicada (ver Critérios Editoriais).

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