O Vitória fechou o 1º semestre de 2026 com dívida líquida de R$ 335,6 milhões, número apresentado ao Conselho Deliberativo; veja a composição por categoria.
O Vitória fechou o primeiro semestre de 2026 com dívida líquida de R$ 335,6 milhões, número que o presidente Fábio Mota apresentou ao Conselho Deliberativo em 18 de agosto e detalhou à imprensa nesta semana. É um recorte diferente do déficit operacional que já mostramos por aqui: agora o clube abre o tamanho total do buraco, categoria por categoria.
O que é essa dívida líquida de R$ 335,6 milhões
O ponto de partida é o débito bruto do Vitória, de aproximadamente R$ 497 milhões. Desse total, a diretoria abate R$ 161 milhões referentes à antecipação de cotas de TV que o clube já recebeu da Liga Forte União (LFU) para as temporadas de 2025 a 2029, dinheiro sem obrigação de devolução. Débito bruto menos esse abatimento é o que sobra como dívida líquida: os R$ 335,6 milhões que dão nome a este balanço.
O mesmo balanço traz ainda dois indicadores complementares: o patrimônio social do clube está negativo em R$ 300,3 milhões, e os passivos somam R$ 197,8 milhões. São fotografias diferentes do mesmo raio-x financeiro, não números que se somam entre si.
De onde vem cada real da dívida
A diretoria detalhou a composição da dívida líquida por natureza da obrigação:
| Natureza da dívida | Valor |
|---|---|
| Tributária | R$ 141,1 mi |
| Trabalhista | R$ 81,5 mi |
| Vitória S.A. | R$ 39,6 mi |
| Financeira | R$ 20,5 mi |
| Civil | R$ 20,5 mi |
| CNRD/CBF | R$ 16,2 mi |
| Fornecedores | R$ 15,9 mi |
Somadas, as sete categorias chegam perto de R$ 335,3 milhões, dentro da margem de arredondamento do próprio balanço em relação aos R$ 335,6 milhões anunciados. A dívida tributária sozinha responde por 42% do total, mais que o dobro da segunda maior fatia, a trabalhista.
Como isso se conecta com o balanço que já mostramos
Em nossa apuração de 28 de agosto sobre o balanço do 1º semestre, o passivo total do Vitória em junho de 2026 aparecia em R$ 498,11 milhões, contra R$ 407,71 milhões no fim de 2025. O número é muito próximo do débito bruto de ~R$ 497 milhões desta nova apresentação: na prática, é a mesma obrigação total do clube, agora aberta por categoria e já líquida do abatimento da antecipação de TV. Um balanço complementa o outro em vez de contradizer.
Aquele mesmo levantamento de agosto já mostrava por onde o passivo tinha crescido: não por empréstimo novo (que, ao contrário, caiu de R$ 51,52 milhões para R$ 36,74 milhões), mas por antecipação de receita futura e por mais conta a pagar de contratação de atleta e de tributo. A dívida líquida detalhada agora é o retrato consolidado dessa mesma trajetória, com a vantagem de separar quanto pertence ao Fisco, quanto é obrigação trabalhista e quanto é dívida com fornecedor.
Outras dívidas específicas que já vieram à tona
Este total de R$ 335,6 milhões é o quadro geral. Três episódios pontuais que nossa redação já havia apurado separadamente ajudam a entender como esse buraco se forma na prática, cada um puxando uma categoria diferente da tabela acima: a dívida com o ex-jogador Pepê, cobrada na Anresf por salários atrasados, entra na fatia trabalhista; a parcela de R$ 70 mil da compra de Fabri, que gerou um transfer ban da Fifa já resolvido, é um exemplo de obrigação da categoria Vitória S.A. ou financeira; e a cobrança que o próprio Vitória fez ao Grêmio por uma pendência de premiação da Copa do Brasil é o inverso, dinheiro que o clube tenta receber, não deve.
O recorte ajuda a entender por que a categoria tributária é, de longe, a maior fatia da dívida: salário atrasado e parcela de compra de jogador viram notícia isolada quando estouram um prazo específico, como o transfer ban; a dívida com o Fisco, em vez disso, acumula mês a mês sem um gatilho tão visível ao torcedor, até aparecer consolidada num balanço como este.
Perguntas frequentes
O que é a dívida líquida do Vitória?
É o débito bruto do clube (cerca de R$ 497 milhões) menos R$ 161 milhões já recebidos como antecipação de cotas de TV da Liga Forte União para 2025-2029. O resultado, R$ 335,6 milhões, foi apresentado ao Conselho Deliberativo em 18 de agosto de 2026 e detalhado à imprensa nesta semana.
Qual é a maior categoria da dívida?
A tributária, com R$ 141,1 milhões, mais que o dobro da segunda maior fatia (trabalhista, R$ 81,5 milhões).
Essa dívida é a mesma do transfer ban da Fifa envolvendo o Fabri?
Não. O transfer ban de setembro foi por uma parcela específica de R$ 70 mil da compra de Fabri, já quitada em 31 de agosto, com o clube apto a registrar jogadores novamente. A dívida líquida de R$ 335,6 milhões é o quadro financeiro geral do semestre, bem mais amplo.
O patrimônio social negativo é a mesma coisa que a dívida líquida?
Não. São indicadores diferentes do mesmo balanço: a dívida líquida é R$ 335,6 milhões, e o patrimônio social negativo, separadamente, é R$ 300,3 milhões.
Balanços financeiros e mais informações institucionais: site oficial do Esporte Clube Vitória.
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