A Federação Bahiana de Futebol formalizou representação no Cade contra a SME por causa do desconto de 15% que só o Vitória sofre na FFU. Veja os números, as falas e os próximos passos do processo.
O caso do desconto que só o Vitória sofre na FFU ganhou um personagem novo. Depois da notificação extrajudicial enviada por Fábio Mota à liga, agora é a Federação Bahiana de Futebol (FBF) quem formaliza uma representação no Cade, o órgão federal que fiscaliza concorrência, contra a Sports Media Entertainment (SME), investidora do bloco.
A disputa, que até aqui era bilateral entre o Vitória e a liga, virou um processo administrativo formal em uma autoridade regulatória federal, com pedido de multa diária e juntada de contratos.
O que a FBF pediu ao Cade
Segundo apuração de nossa redação, a Federação Bahiana de Futebol formalizou uma representação no Cade contra a SME, alegando tratamento desigual entre clubes que assinaram o mesmo tipo de contrato para migrar da Libra para a FFU. O caso específico é o do Vitória: o clube e o Atlético Mineiro fizeram o mesmo movimento de bloco no segundo semestre de 2025, mas apenas o Vitória vem sofrendo desconto de 15% nas receitas de transmissão e publicidade repassadas pela SME.
Os números por trás do desconto
Os valores citados no processo batem com os que o próprio Vitória já havia detalhado em notificação anterior à FFU:
| Ponto | Valor / situação |
|---|---|
| Percentual cedido à SME | 15% das receitas de transmissão e publicidade |
| Total repassado ao Vitória pela SME | R$ 68,2 milhões |
| Desconto já em curso em 2026 | Cerca de R$ 15 milhões |
| Multa diária prevista no processo | R$ 250 mil |
| Prazo dos contratos anteriores (Libra) | Válidos até 2029 |
| Implementação efetiva dos novos acordos (FFU) | 2030 |
Ou seja: mesmo com os contratos da Libra valendo formalmente até 2029, o acordo financeiro de adesão à FFU já foi assinado e os valores já foram repassados aos clubes, o que é o motivo de o desconto já estar em curso nos repasses de 2026.
O que o Vitória já havia dito sobre o caso
A representação da FBF reforça o que o presidente do Vitória, Fábio Mota, já havia cobrado publicamente da FFU e da SME:
Até a publicação desta matéria, nem a SME nem o Atlético-MG haviam apresentado explicação pública para a diferença de tratamento entre os dois clubes.
Quais são os próximos passos no Cade
Segundo apuração de nossa redação, a FBF pediu a juntada de documentos contratuais aos autos do processo e aguarda que o Cade julgue um recurso contra uma decisão anterior, o que pode abrir caminho para novas diligências sobre o caso. Não há, até aqui, prazo oficial divulgado para uma decisão final.
O caso do Vitória não é o único a levar a operação da FFU com a SME ao Cade: entidades como a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) e o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) também protocolaram petições questionando o modelo de governança da liga de forma mais ampla, sem citar o Vitória diretamente. São processos distintos, mas mostram que a operação da FFU vem sendo questionada em mais de uma frente no mesmo órgão regulatório.
O que isso significa para o torcedor
Na prática, o dinheiro em disputa não muda o caixa do Vitória agora: o clube segue recebendo os repasses já com o desconto de 15% aplicado, e o próprio Mota reconhece que está cumprindo o contrato que assinou. O que a representação da FBF faz é tirar o caso da esfera de bastidores e colocá-lo diante de um órgão federal com poder de investigar e, eventualmente, aplicar sanção. Para quem torce, o ponto prático segue o mesmo desde a notificação de Mota: quanto menos receita for retida, mais fôlego financeiro o clube tem para o elenco que disputa posição direta com o Atlético-MG na tabela do Brasileirão.
Mais informações sobre o funcionamento do Cade e como consultar processos estão disponíveis no site oficial do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Perguntas frequentes
Quem entrou com a representação no Cade contra a FFU?
A Federação Bahiana de Futebol (FBF), entidade estadual que organiza o futebol na Bahia, formalizou a representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para questionar o tratamento dado à Sports Media Entertainment (SME), investidora da liga Futebol Forte União (FFU), no caso do Vitória.
Qual é a alegação da FBF?
A entidade argumenta que Vitória e Atlético Mineiro assinaram o mesmo tipo de acordo para deixar a Libra e entrar na FFU, mas recebem tratamento diferente: só o Vitória vem tendo 15% de suas receitas de transmissão e publicidade descontadas na fonte pela SME, enquanto o Atlético-MG segue recebendo o valor cheio.
Quanto dinheiro está em disputa?
O Vitória recebeu R$ 68,2 milhões da SME pela adesão à FFU, em troca da cessão de 15% das receitas de transmissão e publicidade. Esse percentual vem sendo descontado dos repasses ao clube, somando cerca de R$ 15 milhões só em 2026, segundo o próprio Vitória. O processo no Cade também menciona uma multa diária prevista de R$ 250 mil.
O que a FBF pede agora ao Cade?
Segundo apuração de nossa redação, a federação pediu a juntada de documentos contratuais aos autos e aguarda que o Cade julgue um recurso contra uma decisão anterior no processo, além de eventuais diligências para apurar o motivo da diferença de tratamento entre os dois clubes.
O caso da FBF tem relação com os sindicatos que também acionaram o Cade contra a FFU?
São processos distintos. Entidades como a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) e o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) também levaram ao Cade petições contra a operação da FFU com a SME, mas questionando o modelo de governança da liga de forma ampla, sem mencionar o caso específico do Vitória.