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Vitória no STF: dois meses sem patrocínio e R$ 45 milhões em jogo

Vitória no STF: dois meses sem patrocínio e R$ 45 milhões em jogo

Na audiência do STF, o Vitória disse estar há dois meses sem receber o patrocínio das bets e pediu a suspensão da MP. Veja os números e o que não muda.

O torcedor colossal ouviu em Brasília o que o Leão da Barra já sente no caixa: na audiência pública do STF desta terça-feira (3), o advogado André Sica disse que o Vitória está há dois meses sem receber o patrocínio das bets, que a receita ligada a apostas e placas gira em torno de R$ 45 milhões de um faturamento de R$ 290 milhões e que o clube pede a suspensão da medida provisória. Aqui vai o que foi dito, o que os números permitem concluir e o que a audiência não muda.

Placar da audiência

2 MESES SEM RECEBER · R$ 45 MILHÕES EM JOGO

Pedido do Vitória: suspender a MP 1.394/2026 e abrir um período de transição, enquanto o Congresso trata da regulamentação.

O que o Vitória disse ao STF

A resposta curta: o clube foi ao Supremo falar do presente, não do futuro. Segundo apuração da nossa redação, Sica criticou a forma abrupta como a Medida Provisória foi publicada, sem período de transição, e questionou se ela resolve de fato problemas como a ludopatia e o acesso de menores às plataformas. Depois, passou para a realidade do Vitória.

“As receitas desaparecem, mas os compromissos permanecem. O Vitória é um clube que faz uma gestão responsável, mas, a partir do momento em que uma fonte de receita é retirada, toda a programação vai por água abaixo.” André Sica, advogado do Vitória.

Conforme apurado por nossa equipe, ele também contou que o clube foi notificado da suspensão do contrato de patrocínio depois da publicação da medida provisória e que, desde então, são dois meses sem receber os valores. A MP 1.394, editada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país.

Os números que o advogado trouxe

Item Valor citado na audiência Conta da redação
Faturamento anual do Vitória R$ 290 milhões Base da conta
Receita de apostas e placas cerca de R$ 45 milhões 45 ÷ 290 = 15,5%
Parcela descrita pelo advogado aproximadamente 17% Arredondamento dele, acima da conta direta
Tempo sem receber dois meses Desde a notificação de suspensão, após a MP

Repare na diferença: R$ 45 milhões sobre R$ 290 milhões dá perto de 15,5%, e o advogado falou em aproximadamente 17%. Nossa redação publica as duas leituras porque os relatos da audiência trazem pequenas variações nos valores, e preferimos mostrar a conta aberta a cravar um número só. Em qualquer das leituras, a ordem de grandeza é a mesma: mais de um sexto da receita do clube dependia desse mercado.

💡 O que isso significa para o torcedor do Leão da Barra: a perda não é um detalhe de marketing. É uma fatia grande de um orçamento que já foi montado para a temporada inteira, e o corte veio com a bola rolando, com jogos a disputar e salários a pagar. Quem viu o presidente Fábio Mota falar em rombo para 2027 entende por que o clube foi ao STF mesmo sem poder de decisão.

Por que o Vitória disse que “o amanhã não está garantido”

A resposta direta: porque, segundo o advogado, a medida atinge o clube agora e outros gigantes só apontaram risco futuro. Sica argumentou que clubes maiores, que também falaram na audiência, trataram do que pode acontecer, enquanto o Vitória já vive o problema, com risco imediato de drenagem do caixa e contas que, nas palavras dele, “já não estão mais em dia”.

“Temos consciência absoluta de que a atividade fiscalizada é melhor do que a prática ilegal. Porém, nossa briga é pelo amanhã do Vitória, e esse amanhã não está garantido.” André Sica.

Ele ainda respondeu ao argumento de que o futebol brasileiro já viveu sem patrocínio de bets. Disse que o presidente Lula tem razão nisso, mas devolveu a pergunta que interessa ao Barradão: como o Vitória chega ao fim do ano sem uma receita com a qual contava?

O que o governo respondeu

A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux e ouviu os dois lados. O advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu as medidas restritivas e disse que o Estado deve agir quando os mecanismos de proteção existentes se mostram insuficientes. Ele também questionou a eficácia da autorregulação, como autoexclusão e limites individuais de aposta, e rebateu a ideia de que a existência de um mercado clandestino justificaria manter a atividade legalizada.

Lado Argumento central
Vitória Corte abrupto no meio da temporada, sem transição; pede suspensão da MP e regulamentação pelo Congresso
Governo federal (AGU) O Estado deve agir quando a proteção existente falha; autorregulação seria insuficiente

O que a audiência não muda

A resposta curta: nada, por enquanto. A audiência é coleta de informação dentro da ADI 8027 e não suspende a medida provisória nem autoriza a volta dos patrocínios. O pedido do Vitória não equivale a uma decisão do STF. Se vier suspensão, ela virá em decisão posterior do tribunal; se vier regulamentação nova, virá do Congresso. Até lá, o clube segue sem o contrato de patrocínio que ficou suspenso.

Já contamos a tese do clube sobre suspensão e rescisão em Vitória contesta rescisão: só cabe suspensão, diz Mota, a conta do rombo em Vitória sem a bet: Mota fala em R$ 45 milhões e o que estava marcado para este dia em Vitória no STF dia 3: audiência sobre bets e novo patrocinador.

E dentro de campo: Fluminense na sexta

O pano de fundo financeiro chega ao gramado numa semana especial. O Leão recebe o Fluminense no Barradão na sexta-feira (6), às 20h, pela 34ª rodada, em jogo transmitido por SporTV, Premiere e Globoplay, e será a estreia de Cléber dos Santos no comando, como contamos em Vitória demite Jair Ventura e o que muda contra o Fluminense. O Fluminense, aliás, estava na lista de clubes convocados para a mesma audiência. Detalhes de horário, canal e desfalques ficam na página do jogo, e o calendário completo em próximos jogos do Vitória e onde assistir ao Vitória.

💡 O que isso significa para o torcedor colossal: dinheiro não ganha jogo, mas o torcedor que lota o Barradão é receita que nenhuma medida provisória tira. Com a conta apertada, cada ponto na tabela e cada ingresso vendido pesam mais nesta reta final.

Um esclarecimento de escopo: o leaodabarra não faz nem incentiva aposta. Este texto trata das finanças do clube e de um processo no Supremo que afeta o orçamento do Leão da Barra.

Perguntas frequentes

O que o Vitória pediu ao STF na audiência de 3 de novembro?

O advogado André Sica pediu a suspensão da Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe as apostas de quota fixa, e a criação de um período de transição. Ele também pediu que o Congresso discuta uma nova regulamentação com mecanismos de fiscalização.

Há quanto tempo o Vitória está sem receber o patrocínio das bets?

Segundo o advogado do clube, são dois meses. Ele contou que o Vitória foi notificado sobre a suspensão do contrato logo depois da publicação da medida provisória e desde então não recebe os valores.

Quanto as bets representam no faturamento do Vitória?

Na audiência, Sica falou em faturamento anual de R$ 290 milhões, dos quais cerca de R$ 45 milhões vêm de apostas e publicidade em placas, o que ele descreveu como aproximadamente 17%. A conta direta de 45 sobre 290 dá cerca de 15,5%, e os relatos da audiência trazem pequenas variações nesses números.

O STF decidiu alguma coisa sobre as bets nesta terça?

Não. A audiência é uma etapa de coleta de informação e não suspende a medida provisória nem autoriza a volta dos patrocínios. Qualquer efeito prático depende de decisão posterior do tribunal ou de ato do Congresso.

A posição do Vitória é de defesa das apostas?

O advogado disse que não. Segundo ele, o clube defende a continuidade das atividades esportivas e uma atividade fiscalizada, que considera melhor que a prática ilegal.

As informações oficiais do clube seguem no site do Esporte Clube Vitória e as pautas e a transmissão da audiência no portal do Supremo Tribunal Federal.

Redação Leão da Barra
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