A CBF divulgou os áudios do VAR nas expulsões de Cacá e Luan Cândido, mas não no lance da cotovelada de Maurício. Especialistas divergem e o Palmeiras rebateu as críticas em nota oficial.
A CBF divulgou nesta quinta-feira (30) os áudios da comunicação entre o VAR e o árbitro Alex Gomes Stefano nas duas expulsões do Vitória contra o Palmeiras, de Cacá e Luan Cândido. O que a CBF não divulgou foi o áudio do lance que gerou a revolta do torcedor rubro-negro: a cotovelada de Maurício no queixo de Cacá, que não teve sequer revisão do VAR. Horas depois, o Palmeiras respondeu às críticas com nota oficial classificando a repercussão de “falsas narrativas”.
Áudio não divulgado: cotovelada de Maurício em Cacá (sem cartão, sem revisão)
Resposta do Palmeiras: nota oficial rejeitando as críticas
O que o áudio do VAR revela
No primeiro lance, aos 36 minutos do primeiro tempo, o carrinho de Cacá atingiu a perna de Jhon Arias. O VAR Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira chamou o árbitro de campo pelo rádio: “O atacante joga a bola e depois ele (Cacá) acerta. Pega na altura da perna, alto, vou recomendar revisão para cartão vermelho.” Alex Gomes Stefano foi à cabine, assistiu ao lance e confirmou o vermelho, entendendo que houve força excessiva.
Minutos depois, Luan Cândido reagiu à decisão fazendo um gesto de “roubo” em direção à arbitragem. O VAR chamou o árbitro de novo: “Alex, vou recomendar revisão para uma possível expulsão. Jogador faz gesto de roubo, número 36.” O árbitro, que não tinha visto o gesto ao vivo, expulsou o segundo zagueiro do Vitória.
O que os áudios não mostram é qualquer chamada da cabine do VAR no lance de Maurício, 11 minutos antes da primeira expulsão. Segundo apuração da nossa redação junto às fontes que tiveram acesso ao material, a CBF liberou apenas os dois áudios das expulsões do Vitória, sem se manifestar sobre por que o lance de Maurício não foi levado para revisão.
Especialistas de arbitragem divergem sobre os lances
Convidados a analisar os três lances de forma independente, analistas de arbitragem não chegaram a um consenso completo. A maioria concorda que Maurício deveria ter sido expulso pela cotovelada, o que não aconteceu. Já sobre o vermelho de Cacá, as opiniões se dividem: parte considera a expulsão correta, outra parte considera injusta ou entende que o VAR não deveria ter intervindo no lance.
| Lance | Visão predominante |
|---|---|
| Cotovelada de Maurício em Cacá | a maioria dos analistas ouvidos entende que deveria ter sido vermelho |
| Carrinho de Cacá em Arias | opiniões divididas: de “vermelho correto” a “totalmente injusto” e “VAR não deveria ter intervindo” |
| Gesto de Luan Cândido | unanimidade: expulsão correta |
O que isso significa para o torcedor: não existe um veredito técnico fechado sobre a noite. Há um ponto de convergência real (o lance de Maurício mereceria mais atenção da arbitragem) e um ponto de divergência real (se o vermelho de Cacá foi justo). Desconfie de quem afirma que “os especialistas confirmaram” qualquer um dos dois lados de forma unânime.
A resposta do Palmeiras: “falsas narrativas”
Horas depois da repercussão, o Palmeiras publicou nota oficial rejeitando as críticas à arbitragem. Trecho:
Sobre o lance de Maurício, o clube paulista argumenta que o braço do meia “acertou o rosto do zagueiro Cacá, mas não houve força ou movimento adicional que justificasse uma recomendação do VAR para expulsão”. Já sobre o vermelho de Cacá, o Palmeiras defende que o carrinho “atingiu com violência a perna de Arias, colocando em risco a integridade física do colombiano”, e chegou a divulgar uma foto da perna do jogador após a partida como argumento.
É a versão institucional oposta à do Vitória, que já havia formalizado protesto e anunciado representação à Comissão de Arbitragem da CBF horas antes.
O que o Vitória diz, na voz de quem jogou
Além da nota institucional, o meio-campista Gabriel Baralhas comentou o episódio em entrevista no Barradão. Sobre o lance de Maurício: “O Maurício, mesmo sem querer, ele abre o braço, pega no queixo do Cacá e sai sangue. Ele [árbitro de campo] nem foi chamado para olhar [no VAR].” Sobre a própria expulsão do companheiro de zaga: “Já no lance do Cacá, foi de raspão, pode ter pego, aí ele tem convicção de ir no VAR olhar o que aconteceu. Creio que isso atrapalha o que a gente vem fazendo.”
O que acompanhar a partir de agora
O que isso significa para o torcedor: a divulgação do áudio não resolve a polêmica, apenas explica com mais detalhe uma parte dela (as duas expulsões do Vitória) e deixa a outra parte (o lance de Maurício) sem explicação oficial. Enquanto isso, o Vitória segue em 13º na tabela e precisa montar a zaga sem os dois jogadores suspensos para o próximo compromisso.
Perguntas frequentes
O que a CBF divulgou sobre a arbitragem de Vitória x Palmeiras?
Os áudios da comunicação entre o VAR e o árbitro Alex Gomes Stefano nas expulsões de Cacá e Luan Cândido, do Vitória. A CBF não divulgou áudio do lance da cotovelada de Maurício em Cacá, que não teve revisão do VAR.
Os especialistas concordam que as expulsões do Vitória foram corretas?
Não por unanimidade. Analistas de arbitragem consultados concordam que o gesto de Luan Cândido mereceu vermelho, mas se dividem sobre o carrinho de Cacá: parte considera o cartão correto, outra parte o considera injusto ou entende que o VAR não deveria ter intervindo no lance.
O que a nota do Palmeiras diz sobre a cotovelada em Cacá?
O Palmeiras argumenta que o braço de Maurício atingiu o rosto de Cacá sem força ou movimento adicional que justificasse uma recomendação do VAR para expulsão, por isso considera correta a aplicação apenas do cartão amarelo.
O que o jogador Gabriel Baralhas disse sobre o lance de Maurício?
Que o VAR nem foi chamado para revisar o lance da cotovelada, e que a expulsão de Cacá partiu de um contato que classificou como “de raspão”.