Rodrigo Carvalho, diretor de scouting do Vitória, revela o método do "campograma" e por que o clube cortou pela metade o número de contratações em 2026.
O Vitória fez apenas 14 contratações na primeira janela de 2026, metade do volume registrado em 2024 e 2025, quando o clube fechou 28 reforços em cada um dos dois anos. O motivo da mudança de estratégia foi revelado por Rodrigo Carvalho, diretor de scouting do clube até assumir a análise de mercado da América Latina no Crystal Palace, da Inglaterra, em entrevista recente na qual detalhou pela primeira vez como funciona o departamento por trás dos reforços do Leão.
Quem é Rodrigo Carvalho e por que ele fala agora
Rodrigo Carvalho está no Vitória desde o fim de 2024, quando assumiu a estruturação do departamento de mercado do clube. Ele já tem saída anunciada desde junho para o Crystal Palace, da Premier League inglesa, onde vai comandar a análise de mercado da América Latina. Antes de deixar o cargo, concedeu entrevista detalhando o funcionamento do setor, o processo de decisão por trás das contratações e o que deve permanecer no departamento depois que ele sair.
Como está estruturado o departamento de scout do Vitória
Segundo Carvalho, a equipe hoje é formada por um head, dois analistas de mercado que atuam presencialmente e um profissional de suporte ligado ao departamento de mercado da base. Ao longo da sua passagem, ele diz ter participado de mais de 40 contratações do clube, entre reforços para o time principal e movimentações ligadas à base.
O método: campograma com 5 opções por posição
O processo de decisão descrito por Carvalho segue um roteiro fixo. O departamento de mercado identifica as carências do elenco e monta um “campograma”: um raio-x com, no mínimo, cinco opções de atletas por posição em aberto, cada uma classificada por tipo de negociação possível (investimento direto, oportunidade de mercado, empréstimo ou pré-contrato). Esse material é apresentado numa reunião conjunta entre o departamento de mercado, a comissão técnica e a diretoria, e só depois de um consenso entre as três áreas o executivo do clube entra em contato com o atleta.
De 28 para 14: por que o Vitória contratou menos em 2026
| Temporada | Contratações no Vitória |
|---|---|
| 2024 | 28 |
| 2025 | 28 |
| 2026 (1ª janela) | 14 |
A redução pela metade reflete uma virada de estratégia: depois de duas temporadas de reformulação ampla do elenco, o Vitória passou a priorizar manter uma base mais consolidada e reforçar só onde havia necessidade pontual. Jogadores como Lucas Arcanjo, Baralhas, Erick, Ramon e Renato Kayzer permaneceram no elenco, enquanto as contratações do período miraram peças mais decisivas, caso de Cacá e Luan Cândido, hoje titulares da zaga.
A filosofia por trás da escolha dos nomes, segundo Carvalho, foi repetida várias vezes pelo presidente Fábio Mota internamente: buscar os chamados “Guerreirinhos”, atletas “com fome” e desejo de performance, dentro de uma realidade financeira que o próprio dirigente reconhece como uma das mais apertadas da Série A.
A estratégia por trás dos nomes que já estão no time
Um padrão se repete nas contratações citadas por Carvalho como exemplos do modelo que o Vitória tentou implantar: trazer o atleta por empréstimo, sem custo alto imediato, e só bancar a compra em definitivo depois de confirmado o desempenho em campo. Foi assim com Baralhas, Erick, Halter, Jamerson, Ramon e Renê. O mesmo caminho está em andamento agora com Nathan Mendes, Luan Cândido, Zé Vitor, Cacá e Diego Tarzia, todos negociados com o clube nesse mesmo formato de empréstimo com opção ou obrigação de compra. O caso mais recente do padrão é o do meia argentino Alejandro Almaraz, comprado em definitivo depois de se destacar como emprestado.
O que fica depois da saída de Rodrigo Carvalho
Sobre a sucessão, Carvalho afirmou que os processos criados no departamento já foram absorvidos pela equipe que permanece. Os analistas Ítalo Amorim e Ícaro Bispo seguem no Vitória e, segundo ele, têm “totais condições de seguir o trabalho” implementado nos últimos anos. Ele evitou revelar nomes de jogadores que o clube tentou contratar e não conseguiu, preferindo destacar quem chegou e entregou dentro do projeto.
O contexto do Vitória na temporada
A entrevista chega num momento de bons resultados fora de campo mas de instabilidade dentro dele: o Vitória é o atual campeão da Copa do Nordeste 2026, fechou o primeiro turno do Brasileirão com a segunda melhor pontuação da sua história na era dos pontos corridos e está nas oitavas de final da Copa do Brasil depois de eliminar o Flamengo. Na Série A, porém, o Leão vem de goleada sofrida para o Palmeiras por 4 a 0, no Barradão, partida em que ficou com dois jogadores a menos ainda no primeiro tempo.
Perguntas frequentes
Quantas contratações o Vitória fez em 2026?
O clube fechou 14 contratações na primeira janela de 2026, metade do volume registrado em 2024 e 2025, quando fez 28 reforços em cada um dos dois anos.
Quem é Rodrigo Carvalho?
É o diretor de scouting do Vitória desde o fim de 2024, responsável pela estruturação do departamento de mercado do clube. Ele já tem saída anunciada para assumir a análise de mercado da América Latina no Crystal Palace, da Premier League inglesa.
Como funciona o processo de decisão nas contratações do Vitória?
O departamento de mercado apresenta um “campograma” com, no mínimo, cinco opções de atletas por posição em aberto. O material é discutido em reunião conjunta entre mercado, comissão técnica e diretoria, e só após um consenso entre as três áreas o clube contata o jogador.
Quantas pessoas trabalham no departamento de scout do Vitória?
Segundo Rodrigo Carvalho, a equipe é formada por um head, dois analistas de mercado presenciais e um profissional de suporte ligado ao departamento de mercado da base.
Quem continua no departamento depois da saída de Rodrigo Carvalho?
Os analistas Ítalo Amorim e Ícaro Bispo permanecem no Vitória. Segundo Carvalho, ambos têm condições de dar sequência ao trabalho implementado nos últimos anos.
Qual é a filosofia de contratação do Vitória?
Buscar jogadores com perfil de “Guerreirinhos”, termo usado internamente pelo presidente Fábio Mota para descrever atletas com fome de performance, dentro de uma realidade financeira mais limitada que a de outros clubes da Série A.