O Vitória foi condenado pelo STJD a pagar R$ 93,6 mil em multas por ocorrências na final da Copa do Nordeste; o presidente Fábio Mota foi absolvido. Veja o detalhamento da multa.
O Esporte Clube Vitória foi condenado nesta quinta-feira (9) pela 4ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) a pagar R$ 93,6 mil em multas por ocorrências registradas na final da Copa do Nordeste, vencida pelo Leão sobre o Fortaleza em 6 de junho, no Barradão. O presidente Fábio Mota, que também respondia ao processo, foi absolvido pelo colegiado.
O que motivou a denúncia
Segundo apuração da nossa redação junto às ocorrências registradas na súmula da final, três episódios levaram a Procuradoria do STJD a formalizar a denúncia contra o clube e o dirigente. O primeiro foi um atraso de sete minutos para o início da partida em relação ao horário anunciado. O segundo, mais grave, aconteceu aos 28 minutos do primeiro tempo: torcedores localizados na arquibancada do Vitória arremessaram copos plásticos contendo líquido em direção aos jogadores e à comissão técnica do Fortaleza, no momento em que o time visitante comemorava um gol. Não há registro de nenhum atingido pelos objetos. O terceiro ponto da denúncia trata de dificuldades no cumprimento dos protocolos oficiais da partida e da cerimônia de premiação, incluindo as ativações previstas para o patrocinador máster da Copa do Nordeste.
A final foi disputada em clima de festa: o Vitória venceu por 2 a 1 no placar agregado e conquistou o pentacampeonato da Copa do Nordeste, o primeiro título da competição para o clube desde 2010. É justamente esse contexto de comemoração, com o estádio cheio e a torcida em êxtase, que aparece descrito nas ocorrências levadas ao tribunal.
O veredito: veja como foi dividida a multa de R$ 93,6 mil
O auditor relator Pedro Henrique Esselin Perdiz votou pela condenação do clube e pela rejeição da denúncia contra o presidente, entendimento seguido de forma unânime pelos demais integrantes da 4ª Comissão Disciplinar. A multa total ao Vitória soma quatro infrações distintas, cada uma com um artigo do CBJD e um valor próprio:
| Infração | Artigo do CBJD | Valor da multa |
|---|---|---|
| Atraso de 7 minutos para o início da partida | Art. 206 (R$ 800 por minuto) | R$ 5,6 mil |
| Arremesso de copos contra atletas e comissão técnica do Fortaleza | Art. 213, inciso III | R$ 3 mil |
| Irregularidades na ação promocional da Casas Bahia (pneus furados) | Art. 191, inciso III | R$ 70 mil |
| Descumprimento de regulamento da competição | Art. 191 | R$ 15 mil |
| Total | R$ 93,6 mil |
A infração mais cara, de longe, não teve relação direta com a torcida ou com o placar: os R$ 70 mil aplicados por conta da ativação da Casas Bahia (patrocinadora que promoveu uma dinâmica com pneus na final e teve furos registrados durante o evento) responderam por 75% do valor total da multa. Já a denúncia contra o presidente Fábio Mota, enquadrada no artigo 243-B do CBJD, foi rejeitada pela comissão, que o absolveu por unanimidade.
⚠️ O que isso NÃO muda
Nenhuma das fontes apuradas menciona risco de perda do título da Copa do Nordeste ou anulação da partida. Os artigos citados tratam de responsabilidade disciplinar, com previsão de multa ao clube e multa mais suspensão ao dirigente, não de reversão de resultado esportivo.
Quem julgou e como foi decidido
O julgamento aconteceu nesta quinta-feira, 9 de julho, conduzido pela 4ª Comissão Disciplinar do STJD, órgão vinculado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) responsável por julgar infrações do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O relator do caso foi o auditor Pedro Henrique Esselin Perdiz, cujo voto (condenação do clube, absolvição do presidente) foi acompanhado de forma unânime pelos demais integrantes da comissão.
O contexto: dias depois do penta no Barradão
A denúncia chega poucas semanas após o Vitória viver uma de suas noites mais festivas de 2026: o título da Copa do Nordeste, conquistado com direito a jogadores emocionados e um Barradão lotado. Foi justamente esse ambiente de casa cheia, decisão regional e rivalidade histórica com o Fortaleza que caracterizou o cenário descrito na denúncia da Procuradoria. O clube já soma outros embates com o STJD ao longo da temporada, como o caso, resolvido em maio, envolvendo protestos contra arbitragem, o que reforça a atenção que a diretoria de Fábio Mota vem recebendo do tribunal em 2026, num ano também marcado por decisões financeiras e institucionais internas, caso da disputa com o Grêmio por valores de Wagner Leonardo.
Para a torcida, o episódio não tira o brilho do título, mas acende um alerta de organização: garantir pontualidade na entrada em campo e conter arremesso de objetos das arquibancadas são itens que já vinham sendo cobrados pelo próprio STJD em temporadas anteriores, e que devem ganhar reforço de comunicação interna do clube para os próximos jogos no Barradão, a começar pela volta do Brasileirão contra o Vasco, dia 16 de julho.
Perguntas frequentes
Por que o Vitória e Fábio Mota foram denunciados pelo STJD?
A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva denunciou o clube e o presidente Fábio Mota por três ocorrências registradas na final da Copa do Nordeste, disputada em 6 de junho de 2026, no Barradão, contra o Fortaleza: atraso de 7 minutos para o início da partida, arremesso de copos plásticos com líquido pela torcida em direção a atletas e à comissão técnica do Fortaleza durante a comemoração de um gol, e dificuldades no cumprimento dos protocolos oficiais de partida e da cerimônia de premiação.
Quando foi o julgamento e qual foi o resultado?
O julgamento aconteceu na quinta-feira, 9 de julho de 2026, pela 4ª Comissão Disciplinar do STJD. O resultado: o Vitória foi condenado a pagar R$ 93,6 mil em multas, e o presidente Fábio Mota foi absolvido.
Qual foi a multa aplicada ao Vitória?
R$ 93,6 mil, divididos em quatro infrações: R$ 5,6 mil pelo atraso de 7 minutos (art. 206), R$ 3 mil pelo arremesso de copos (art. 213, III), R$ 70 mil por irregularidades na ação promocional da Casas Bahia (art. 191, III) e R$ 15 mil por descumprimento de regulamento (art. 191).
O presidente Fábio Mota foi punido?
Não. A denúncia contra Fábio Mota, enquadrada no artigo 243-B do CBJD, foi rejeitada pela 4ª Comissão Disciplinar do STJD, que o absolveu por unanimidade.
Isso ameaça o título da Copa do Nordeste 2026?
Não há, nas apurações desta reportagem, qualquer menção a risco de perda do título. Os artigos envolvidos tratam de responsabilidade disciplinar por incidentes de organização e conduta de torcida, com previsão de multa ao clube e multa mais suspensão ao dirigente, não de anulação de resultado esportivo.
Alguém do Fortaleza ou da comissão técnica foi atingido pelos objetos arremessados?
Não. As apurações descrevem que os copos foram arremessados em direção aos atletas e à comissão técnica do Fortaleza durante a comemoração de um gol, aos 28 minutos do primeiro tempo, mas não há relato de qualquer pessoa atingida.
Qual foi a infração mais cara aplicada ao Vitória?
A multa de R$ 70 mil por irregularidades na ação promocional da Casas Bahia, que incluiu o episódio dos pneus furados durante a ativação na final. Sozinha, essa infração respondeu por cerca de 75% do valor total das multas aplicadas ao clube.