O presidente Fábio Mota confirmou que o Vitória caminha para ter uma marca própria de uniforme após 2027. O contrato atual com a Volt vai até o fim do ano que vem. Veja o que muda para o clube e para o torcedor.
O Fábio Mota, presidente do Esporte Clube Vitória, colocou na mesa uma mudança que pode transformar a identidade visual do clube a partir de 2027: o rubro-negro pretende ter sua marca própria de uniforme, sem depender de fornecedores externos como a atual parceira, a Volt Sport. A declaração foi feita publicamente pelo dirigente, que deixou claro o caminho que a diretoria pretende seguir quando o contrato atual terminar.
O que Fábio Mota disse sobre o futuro dos uniformes
Em declaração pública, o presidente do Vitória foi direto: “Estamos caminhando para a marca própria, que é mais rentável para o clube.” Ele também descartou a alternativa que mais circulou nas redes sociais, a parceria com a Adidas: “Essa informação sobre um acordo com a Adidas é fake.” O dirigente deixou claro que a opção por uma grande marca internacional não está nos planos. O raciocínio da diretoria é financeiro e estratégico: ter controle sobre a produção e a venda de uniformes pode gerar receita superior ao modelo de comissão percentual com um parceiro.
O contexto da declaração não é aleatório. Nos últimos meses, como apurou nossa redação, a Volt Sport enfrentou problemas no fornecimento de insumos que afetaram diretamente o clube. Lojas autorizadas com estoque baixo e reposição lenta foram um sinal desse desgaste. O caso mais concreto foi o da camisa especial “Em Busca do Hexa”, desenvolvida para a Copa do Mundo: a peça teve o cronograma de lançamento alterado pela fabricante por dificuldades internas no processo produtivo. Para uma torcida que esperava a camisa como parte da festa do hexacampeonato nordestino, o atraso foi sentido.
Como funciona o contrato atual com a Volt
O vínculo entre o Vitória e a Volt Sport foi firmado em abril de 2022 e prevê duração até o fim de 2027. O modelo é o padrão de fornecimento do mercado: a empresa projeta, produz e distribui os uniformes, e repassa ao clube uma comissão de 15% sobre as vendas (equivalente a R$ 15 de cada R$ 100 arrecadados em uniformes). Quando o contrato foi assinado, a diretoria descreveu o percentual como favorável para o clube.
Na prática, o clube recebe um valor fixo por peça vendida, mas não controla o preço de venda, o estoque nas lojas nem o ritmo de produção. É exatamente essa falta de controle que, na visão de Fábio Mota, torna o modelo menos interessante do que uma marca própria.
Comparativo: fornecedor externo versus marca própria
| Aspecto | Fornecedor externo (modelo atual) | Marca própria (modelo estudado) |
|---|---|---|
| Controle sobre produção | Da empresa parceira | Do clube (via fabricante contratada) |
| Etiqueta na camisa | Logomarca do fornecedor (Volt) | Marca criada pelo clube |
| Controle de estoque | Limitado ao que a empresa entrega | Maior autonomia na gestão |
| Modelo de receita | Comissão percentual (15% no atual) | Margem direta sobre cada peça |
| Prazo para mudança | Volt segue até 2027 | A partir do encerramento do contrato |
O que é marca própria no futebol e como funciona na prática
A marca própria no futebol segue um modelo simples: em vez de fechar com uma empresa que já tem nome e estrutura no mercado de artigos esportivos, o clube cria sua própria etiqueta e contrata uma fabricante para produzir as peças sob essa identidade. O clube define o design, o preço, os pontos de venda e a logística de entrega. A fabricante cobra pelo serviço de produção, e o clube fica com a diferença.
O resultado, quando bem executado, é financeiramente atraente: o clube deixa de dividir receita com um intermediário e passa a controlar o negócio de ponta a ponta. O risco, por outro lado, é a necessidade de estrutura para gerir a operação, incluindo parcerias logísticas, gestão de estoque e atendimento ao consumidor. Para um clube como o Esporte Clube Vitória, recém-campeão da Copa do Nordeste e em crescimento institucional, o passo faz sentido estratégico se a estrutura acompanhar a ambição.
Próximos passos em campo
Enquanto a decisão sobre o uniforme de 2027 matura nos bastidores, o Barradão espera o Leão de volta em 16 de julho, no confronto contra o Vasco pelo Brasileirão Série A. A preparação começa já na sexta-feira (26/06), quando o elenco se reapresenta no CT Manoel Pontes Tanajura após o período de descanso pós-título.
O que muda para o torcedor rubro-negro
A mudança mais visível, se confirmada, estará na etiqueta da camisa: em vez da logomarca da Volt Sport, as futuras peças terão uma marca desenvolvida pelo próprio clube. Para o torcedor que compra a camisa para usar na arquibancada do Barradão ou no dia a dia, o impacto depende de como o clube vai gerenciar distribuição e preços.
Um dos problemas mais relatados na temporada atual foi justamente a dificuldade de encontrar produtos do clube em loja física e online. Com a marca própria, o Vitória teria condições de gerenciar isso com mais agilidade, já que controlaria diretamente o fluxo de produção e reposição. A outra mudança esperada é no preço: sem repassar percentual para um parceiro, o clube poderia praticar preços competitivos e, ao mesmo tempo, melhorar sua margem.
De todo modo, a mudança não é para amanhã. O contrato com a Volt segue até 2027, e o uniforme atual, incluindo a nova camisa que chegou às lojas em junho, continuará sendo fornecido pela parceira até o fim do vínculo. A decisão definitiva sobre o caminho a seguir deve ser tomada ao longo dos próximos meses, antes do encerramento do contrato.
Perguntas frequentes
O que é marca própria de uniforme no futebol?
Marca própria é quando o clube produz seus uniformes com uma etiqueta exclusiva, sem depender de empresas externas como Volt, Adidas ou Nike. O clube contrata uma fabricante parceira para produzir as peças sob a identidade visual rubro-negra, mas a etiqueta final é do próprio clube. Essa modalidade costuma gerar margem de lucro maior para o clube, já que ele controla a produção, o preço e a distribuição diretamente.
Quando acaba o contrato do Vitória com a Volt?
O vínculo firmado entre Fábio Mota e a Volt Sport em abril de 2022 se estende até 2027. Os uniformes do Esporte Clube Vitória continuam sendo fornecidos pela Volt até o encerramento desse contrato. A discussão sobre marca própria diz respeito ao que o clube fará a partir de 2027.
Por que o Vitória quer sair da Volt?
Conforme apuração da nossa redação, o clube vem enfrentando problemas recorrentes no fornecimento de material. Lojas foram registradas com estoque baixo e com pouca reposição de produtos. A camisa especial “Em Busca do Hexa”, desenvolvida para a Copa do Mundo, também teve o cronograma de entrega alterado por dificuldades da fabricante. Além disso, o presidente Fábio Mota avalia que a marca própria pode ser financeiramente mais rentável do que manter um parceiro externo.
A Adidas vai patrocinar o Vitória em 2026 ou 2027?
Não. O presidente Fábio Mota negou qualquer negociação com a empresa alemã. Em declaração recente, ele classificou essas informações como falsas e reafirmou que o clube estuda a criação de uma marca própria, sem interesse em fechar com grandes fornecedores internacionais.
Qual é a comissão prevista no contrato com a Volt?
O contrato entre Vitória e Volt Sport prevê uma comissão de 15% sobre as vendas de uniformes repassada ao clube. A diretoria chegou a descrever esse percentual como vantajoso no momento da assinatura, em 2022. No entanto, a avaliação atual é de que uma marca própria, com controle direto sobre produção e venda, poderia gerar retorno superior para o clube.
O torcedor vai notar alguma diferença com a marca própria?
Na prática, a principal mudança visual seria na etiqueta da camisa: em vez da logomarca de um fornecedor externo, as peças carregariam uma marca desenvolvida pelo próprio clube. A qualidade e o design dependeriam da fabricante escolhida para produzir as peças. O clube também teria mais controle sobre disponibilidade em lojas e preço de venda ao torcedor.
Quando o Vitória vai anunciar uma decisão definitiva?
Ainda não há prazo oficial divulgado pelo clube. O contrato com a Volt segue ativo até 2027, e a decisão sobre o modelo a partir daí deve ser tomada ao longo dos próximos meses, antes do encerramento do vínculo. Nossa redação acompanha o tema e atualiza esta página conforme houver novidades.