A Comissão de Arbitragem da CBF tem uma diretriz interna que explica por que os áudios dos jogos do Vitória contra Flamengo e Athletico-PR não serão divulgados.
Quem acompanhou as polêmicas nos dois últimos jogos do Vitória ficou esperando a CBF abrir os áudios da arbitragem.
A entidade não vai fazer isso, e o motivo não está no acaso: existe uma diretriz interna da Comissão de Arbitragem, definida antes mesmo de a bola rolar em 2026, que determina exatamente quando o material é ou não liberado ao público.
A CBF confirmou que não vai divulgar os áudios das partidas do Vitória contra Flamengo (Copa do Brasil) e Athletico-PR (Campeonato Brasileiro) porque a Comissão de Arbitragem estabeleceu, no início desta temporada, que apenas lances com revisão formal no VAR têm o material publicado.
- Regra: áudios liberados somente quando árbitro vai ao monitor do VAR.
- Situação: decisões de campo mantidas nos dois jogos do Vitória, sem revisão protocolar.
- Alternativa: material disponível para o Vitória nas reuniões de segunda-feira na CBF.
A nota oficial enviada pela CBF ao Correio é direta: “Como as decisões de campo foram mantidas, o material não será divulgado.” O clube baiano havia protocolado ofício ao presidente da Comissão de Arbitragem, Rodrigo Cintra, pedindo as gravações e as imagens usadas na análise dos lances polêmicos nos dois confrontos.
A resposta chegou ontem, e fecha a porta para a divulgação pública.
A diretriz que a CBF não divulgou, mas que define tudo
| Jogos envolvidos | Vitória x Flamengo (Copa do Brasil) e Vitória x Athletico-PR (Brasileirão) |
| Regra aplicada | Áudios liberados apenas quando árbitro vai ao monitor do VAR |
| Quem decidiu | Comissão de Arbitragem da CBF, no início da temporada 2026 |
| Alternativa ao clube | Reuniões às segundas-feiras na CBF, com acesso ao material |
| Autorização da Fifa | Concedida em outubro de 2025 para lances relevantes sem revisão protocolar |
| Fonte oficial | site oficial da CBF |
Segundo a CBF, a Comissão de Arbitragem fechou essa diretriz no começo de 2026: só vai a público o áudio de lance que gerou revisão formal, com o árbitro saindo de campo para checar o monitor. Nos dois jogos do Vitória, as decisões foram mantidas no campo, sem nenhuma ida ao VAR.
Logo, pelo critério interno, não há material a publicar.
O detalhe que muda o peso da situação: em outubro de 2025, a própria CBF anunciou com alarde que havia conseguido autorização da Fifa para divulgar áudios e vídeos de lances relevantes mesmo sem revisão protocolar.
A novidade foi celebrada pelo então presidente Samir Xaud como avanço de transparência. Só que a Comissão de Arbitragem, ao regulamentar a medida internamente, incluiu critérios que, na prática, voltam a restringir o material liberado ao público.
Quem só leu o comunicado de outubro de 2025 não sabe que existe uma camada adicional de filtragem, definida pela própria Comissão, que decide o que é ou não considerado lance de “grande impacto” para fins de divulgação.
É esse filtro que bloqueia os áudios pedidos pelo Vitória.
O contexto fica mais tenso quando se lembra que, nas últimas duas semanas, o clube protocolou representações na CBF em jogos diferentes, unindo jogadores, técnico Jair Ventura e presidente Fábio Mota no mesmo protesto.
Quem acompanha o impasse pode entender os desdobramentos desse processo em dirigentes e atleta do Vitória denunciados que podem pegar punição pesada, que detalha as representações em curso.
O que a autorização da Fifa realmente permite, e o que a CBF aplica na prática
Há uma diferença entre o que a Fifa liberou e o que a CBF efetivamente publica. A autorização, confirmada pela própria entidade em nota, cobre a divulgação de checagens de grande impacto mesmo sem ida do árbitro à cabine.
Só que quem define o que é “grande impacto” é a própria Comissão de Arbitragem.
De acordo com a CBF, Rodrigo Cintra deixou claro o raciocínio: a autorização foi concedida “para fins de instrução e transparência”, e não como obrigação de publicar todo lance polêmico.
Na prática, o árbitro mantendo a decisão de campo sem revisão é tratado como ausência de evento publicável, independentemente da repercussão gerada.
O detalhe que poucos percebem está aqui: a Fifa deu permissão, mas não tornou a publicação obrigatória. A CBF pode divulgar, mas não é forçada a fazer isso.
A Comissão de Arbitragem usou essa margem para criar a diretriz restritiva que vigora em 2026.
Para o Vitória, o caminho que sobra é levar o tema às reuniões de segunda-feira, onde o material fica disponível para representantes do clube.
Há quem avalie esse processo a partir do que já aconteceu nas datas dos confrontos, como nas datas da 5ª fase da Copa do Brasil entre Vitória e Flamengo, já definidas para a sequência da competição.
O erro que o Vitória não pode cometer agora
O clube entrou com representação na CBF contra a escala de arbitragem responsável pelo jogo contra o Athletico-PR. Mas a representação formal tem rito próprio, e confundir os canais disponíveis pode enfraquecer o argumento.
Armadilha no processo de representação
A CBF disponibiliza os áudios nas reuniões de segunda-feira, não por resposta formal à representação. Usar o canal errado pode atrasar a análise e esvaziar o prazo recursal.
Segundo a nota da CBF, os áudios existem e estão à disposição dos clubes, mas o acesso se dá em reuniões presenciais semanais, não por protocolo de recurso.
Isso significa que o Vitória precisa participar ativamente dessas reuniões para reunir o material que eventualmente sustente qualquer questionamento posterior.
A representação contra a escala de arbitragem segue um trâmite diferente, como detalha o acompanhamento de Vitória que apresenta nova reclamação à CBF após derrota de 3 a 1 na Série A, com os termos do ofício enviado ao presidente da Comissão.
O que esse silêncio revela sobre a transparência no futebol brasileiro em 2026
A diretriz da Comissão de Arbitragem não é um caso isolado. Ela expõe uma tensão conhecida de quem acompanha o futebol brasileiro de perto: a diferença entre a transparência anunciada e a transparência praticada.
Em outubro de 2025, a CBF foi a público celebrar a autorização da Fifa como marco de abertura. Rodrigo Cintra usou a expressão “integridade de nossas competições” para descrever o novo protocolo.
Menos de seis meses depois, a mesma Comissão aplica uma diretriz que restringe o acesso justamente nos casos que mais geram dúvida pública: as decisões mantidas em campo sem revisão no VAR.
Esse padrão não é exclusivo da arbitragem. É o mesmo movimento que aparece em outros processos regulatórios do futebol nacional: a abertura formal existe, mas o critério de aplicação fica com quem regula.
Pra quem acompanha o tema há mais de uma temporada, o caso Vitória funciona como teste concreto do quanto a nova política de transparência resiste a situações de pressão real.
O que quase ninguém percebe
A autorização da Fifa para publicar áudios de lances sem revisão existe desde outubro de 2025. O que mudou em 2026 é que a Comissão de Arbitragem incluiu, na regulamentação interna, o critério de “grande impacto” como condição para publicação.
E quem define o que é grande impacto é a própria Comissão.
O que ninguém te conta
Os áudios dos jogos do Vitória não estão bloqueados para o clube: estão disponíveis nas reuniões de segunda-feira. O que não acontece é a publicação pública.
Essa distinção é o centro do impasse, e a maioria das notícias não separa os dois canais de acesso.
Perguntas frequentes
Por que a CBF não divulga os áudios do VAR dos jogos do Vitória?
A Comissão de Arbitragem da CBF estabeleceu, no início da temporada 2026, que apenas lances com revisão formal, em que o árbitro vai ao monitor do VAR, têm os áudios publicados ao público.
Como as decisões foram mantidas em campo nos dois jogos do Vitória, sem revisão protocolar, o material não é liberado pela diretriz vigente.
A CBF tem autorização para divulgar áudios sem revisão no VAR?
Sim. Em outubro de 2025, a Fifa autorizou a CBF a divulgar áudios e vídeos de lances relevantes mesmo sem ida do árbitro ao monitor.
Só que a Comissão de Arbitragem regulamentou internamente que essa publicação se aplica a lances de “grande impacto”, e quem define esse critério é a própria Comissão.
O Vitória pode acessar os áudios de alguma forma?
Sim. Segundo a CBF, o material está à disposição dos clubes nas reuniões realizadas às segundas-feiras. O acesso existe, mas é restrito ao clube, sem publicação pública.
O Vitória entra em campo nesta quarta-feira contra o Confiança, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste, com o clube mirando a liderança do grupo A.
O resultado da partida não resolve o impasse com a CBF, mas a sequência de jogos sob polêmica de arbitragem já pressionou o clube a buscar canais formais que raramente são usados em sequência tão curta de rodadas.
A reunião de segunda-feira na CBF, onde o material de áudio fica disponível, será a próxima janela real para o Vitória acessar as gravações.
Quem não usar esse canal perde o acesso prático ao material, mesmo que o direito formal ao protesto siga aberto.
Dá pra acompanhar a pauta da próxima reunião com a CBF e verificar se o clube confirmou presença: é o único caminho disponível para ouvir os áudios sem depender de divulgação pública.
Fonte: Informações publicadas pelo www.correio24horas.com.br, com adaptação editorial.