O presidente do EC Vitória, Fábio Mota, projetou em entrevista nesta semana o início das obras da Arena Barradão ainda em 2026. O dirigente reforçou que o cronograma técnico apresentado à prefeitura de Salvador é factível e que o clube tem condições financeiras de iniciar a fase de fundações já no segundo semestre, desde que a tramitação do licenciamento avance dentro do esperado.
A declaração de Fábio Mota é considerada um marco importante porque, até então, o cronograma da Arena Barradão era visto pela imprensa esportiva como uma promessa de longo prazo, sem datas firmes. Agora, com confirmação pública do presidente do clube, a expectativa é de que as obras realmente comecem em 2026, com prazo total de 24 a 36 meses até a inauguração completa.
O guia abaixo cobre: cronograma técnico das obras detalhado fase por fase, onde o Vitória vai jogar durante o período, quanto vai custar e quem vai financiar, e os 4 maiores desafios técnicos identificados no projeto.
Quando a obra da Arena Barradão começa em 2026
O cronograma divulgado por Fábio Mota e pela diretoria do Vitória prevê:
- Maio-junho de 2026: apresentação técnica à prefeitura (concluída), análise de licenciamento e validação dos documentos urbanísticos;
- Julho-agosto de 2026: licitação de construtora, fechamento de contratos de financiamento e fechamento de naming rights;
- Setembro de 2026: início efetivo das obras de canteiro e demolição parcial de setores existentes;
- Outubro-dezembro de 2026: obras de fundação e estrutura principal da nova arena.
A previsão otimista é que a primeira fase de obras esteja concluída antes do final de 2026, com a estrutura principal já em construção visível.
O cronograma divulgado por Fábio Mota: detalhes técnicos
O cronograma completo de Fábio Mota é dividido em quatro fases principais:
- Fase 1 (set/2026 a fev/2027): estruturação inicial — canteiro, demolição parcial, fundações e estrutura básica das novas arquibancadas. Duração: 5-6 meses;
- Fase 2 (mar/2027 a out/2027): cobertura completa, ampliação modular das arquibancadas, vestiários, túnel dos jogadores. Duração: 7-8 meses;
- Fase 3 (nov/2027 a jun/2028): camarotes, área VIP, lojas comerciais, restaurantes, áreas externas. Duração: 7-8 meses;
- Fase 4 (jul/2028 a dez/2028): acabamentos, sistemas de audiovisual, testes operacionais, certificação e inauguração simbólica. Duração: 6 meses.
Fases da construção da nova Arena
Cada fase tem entregas específicas que permitem ao clube planejar a operação:
- Após Fase 1: capacidade reduzida do estádio (15-20 mil torcedores em setor remanescente);
- Após Fase 2: impossibilidade temporária de uso do Barradão — clube fica obrigado a jogar em outros estádios;
- Após Fase 3: volta gradual ao Barradão em setores específicos, com capacidade limitada;
- Após Fase 4: capacidade total da Arena Barradão atingida, com inauguração oficial e jogos completos.
Onde o Vitória vai jogar durante as obras
A operação durante as obras é um dos maiores desafios do projeto:
- Pituaçu (Salvador): opção principal por proximidade geográfica e capacidade. Em negociação para mando de campo regular;
- Estádio do Imbuí (Salvador): opção secundária, com capacidade menor mas capacidade adequada para jogos de menor apelo;
- Pelourinho ou outras cidades baianas: alternativa para alguns jogos do Campeonato Baiano ou Copa do Nordeste, com cidades como Feira de Santana, Camaçari, Vitória da Conquista e Ilhéus;
- Jogos como mandante fora da Bahia: em situações específicas (calendário apertado ou disponibilidade limitada de Salvador), o clube pode negociar mando em estádios de outros estados, como Aracaju (Estádio Batistão) ou Recife (Aflitos).
A diretoria já confirmou que prioriza manter o mando dentro de Salvador para não impactar a presença da torcida e a receita de bilheteria.
Quanto vai custar e quem paga
O investimento total do projeto é dividido entre múltiplas fontes:
- Recursos próprios do clube: aproximadamente 20% do total, vindos de receitas operacionais ordinárias e venda de jogadores;
- Financiamento bancário: 35-40%, com prazos longos e taxas negociadas via bancos de desenvolvimento (BNDES, Banco da Bahia);
- Naming rights: 15-25% do total, com negociação ativa com empresas brasileiras e internacionais para venda do nome do estádio;
- Patrocínios estruturais: 10-15% via patrocínios específicos de setores (camarotes, vestiários, mídia LED);
- Fundos de investimento esportivo: 5-10%, com captação via fundos brasileiros e internacionais especializados no setor.
Comparativo com outras arenas brasileiras
Para entender o contexto, a Arena Barradão comparada a outras arenas brasileiras recentes:
- Allianz Parque (Palmeiras): R$ 800 milhões, capacidade 43 mil, inaugurada em 2014;
- Neo Química Arena (Corinthians): R$ 1,1 bilhão, capacidade 49 mil, inaugurada em 2014;
- Arena MRV (Atlético-MG): R$ 1 bilhão, capacidade 47 mil, inaugurada em 2023;
- Arena Barradão (Vitória — em projeto): R$ 400-600 milhões, capacidade 45-50 mil, prevista 2028-29.
O Barradão pode ser uma das arenas mais econômicas em custo por assento construído entre os grandes projetos brasileiros recentes, principalmente por se aproveitar da estrutura existente do estádio atual.
Os 4 maiores desafios técnicos do projeto
O projeto tem quatro desafios principais identificados pela engenharia:
- Topografia do terreno: o Barradão está em terreno com desnível significativo, exigindo soluções estruturais específicas para cobertura;
- Acessos ao bairro do Canabrava: as vias atuais têm capacidade limitada, e a prefeitura precisa fazer obras paralelas de mobilidade (alargamento de vias e implantação de corredor de ônibus);
- Operação parcial durante obras: manter o estádio operacional em alguma capacidade nas Fases 1 e 3, com risco de impacto na receita de bilheteria;
- Negociação com vizinhos: propriedades adjacentes podem ser impactadas por barulho e tráfego adicional, exigindo acordos individuais ou de bairro.
Quando começa a obra da Arena Barradão segundo Fábio Mota?
Setembro de 2026, conforme cronograma divulgado pelo presidente do Vitória após apresentação do projeto à prefeitura. As fases de canteiro, demolição parcial e fundações iniciam no segundo semestre de 2026.
Onde o Vitória vai jogar durante as obras?
Principal opção é o Pituaçu, em Salvador. Estádio do Imbuí é alternativa secundária. Para alguns jogos pode haver mando em outras cidades baianas como Feira de Santana, Camaçari ou Vitória da Conquista. A diretoria prioriza manter mando dentro de Salvador.
Quanto custa o novo Barradão?
Estimativa entre R$ 400 e R$ 600 milhões. Financiamento misto: 20% recursos próprios, 35-40% financiamento bancário (BNDES e bancos regionais), 15-25% naming rights, 10-15% patrocínios estruturais, 5-10% fundos de investimento esportivo.
Quanto tempo dura a obra completa da Arena Barradão?
Entre 24 e 36 meses, dividida em 4 fases. Início previsto setembro/2026, inauguração oficial entre o final de 2028 e o início de 2029. A primeira fase concluída deve apresentar a estrutura principal já em construção visível antes do final de 2026.
O novo Barradão será maior que o atual?
Sim. Capacidade atual é cerca de 30 mil torcedores; capacidade projetada da Arena Barradão é 45-50 mil torcedores, com ampliação modular possível para 55 mil em jogos especiais. Aumento de 15-25 mil em relação ao estádio atual, ou cerca de 50-65%.